Foi
velado na manhã de terça-feira (22/05) o corpo do jornalista Reginauro Silva.
Ele faleceu aos 62 anos idade cumprindo o ofício de seu trabalho na Prefeitura
de Montes Claros. Reginauro nasceu em Almenara/MG, mas foi no maior município
do Norte de Minas onde escreveu uma vasta carreira profissional pautada pela
criatividade, irreverência e paixão pelo Jornalismo.
Formou-se
em Direito em 1978. Foi ainda autor de peças de teatro e agitador cultural. É o
autor da conhecida frase: “Montes
Claros, Cidade da Arte e da Cultura”. Amigos prestaram uma última e justa
homenagem a Reginauro. Todos unânimes diante de sua importância à imprensa e
cultura montes-clarense.
Foto: Fábio Marçal
LEIA DEPOIMENTOS DE COLEGAS DE REGINAURO
Arthur
Júnior, jornalista
“Tive a
oportunidade de dirigir uma peça teatral de Reginauro, ‘A Formiga que queria ser cidade e virou Princesa’, que foi uma
segunda montagem em 1993 junto com Eduardo Brasil. Na área jornalística, foi um
guru, sempre nos incentivando, criticando, apontando o que tinha que ser feito.
Foi uma pessoa que tinha um texto primoroso, investigativo e que sabia brincar
com as palavras, tanto na maneira de elaborar o texto quanto na área do Teatro.
Deixa um legado de alegria. Seu último ato aconteceu na minha festa, no ‘Baião
de Dois do Karoba’, último domingo, quando ficou a tarde toda alegre,
confraternizando, rindo, brincando, como sempre foi. Eu quero guardar para mim
esta imagem: do Reginauro alegre, companheiro, brigador e polêmico, que nunca
se dobrou diante dos poderosos.”
Artur
Leite, jornalista
“Reginauro
tinha uma dimensão nacional e não regional ou mesmo local. Ele pensava além do
seu tempo. Uma das suas marcas principais era a inteligência rara, a percepção
do cotidiano e a capacidade de polemizar. Seu maior legado é trabalho realizado
no Teatro, na Literatura, no Jornalismo. Foi-se o homem polêmico, mas ficou o
seu legado maior: o amor a Montes Claros.”
Décio
Gonçalves, jornalista
“Reginauro
foi um dos repórteres mais brilhantes que eu tive no meu ‘Diário de Montes
Claros’. Ele era pessoa correta e um profissional excelente. Como ninguém,
perseguia a notícia, mas sempre com o foco na verdade. Esse era ele, um
perseguidor implacável das notícias. Mas, para ele, a verdade estava sempre
acima de tudo.”
Dhiogo
Revert, jornalista
“Não só o
Jornalismo, mas também a arte, a cultura e os cidadãos montes-clarenses perdem
alguém que cobrava com irreverência e com pulso forte, tratando de assuntos que
a população queria buscar seus direitos. E para quem começa a se enveredar no
Jornalismo, é claro que perdemos um grande mestre. Fica a saudade.”
Fátima de
Oliveira, jornalista
“Com
tristeza leio a nota sobre a morte de Reginauro, companheiro querido que nos
recebeu na cidade com carinho e afeto, quando de nossa visita como diretora do
Sindicato dos Jornalistas. Saibam, no entanto, que ele morreu praticando o
ofício que mais amava, tanto que preferiu morrer no local de trabalho como quem
diz: ‘Saio daqui direto para o céu’. Que os anjos aproveitem sua criação
companheiro e lhe tratem bem. Meu carinho a todos de MOC, cidade que aprendi a
amar por causa de nossa categoria.”
Felicidade
Tupinambá, jornalista
“Reginauro
vai ser sempre uma referência de Jornalismo em Montes Claros e na região. Ele
será para sempre meu editor, com quem aprendi muito. Sem dúvida, uma grande
perda para todos nós. Mesmo tendo uma religião como alicerce, que nos garante a
vida eterna, a dor é grande. Mas isso mostra a inexorabilidade da morte, que é
inevitável. Uma das minhas muitas lembranças foi o ‘Conversa Fiada’ que fiz com
ele e com diversos ex-colegas dele da Escola Normal, sobre o Grêmio Estudantil.
Eu fiquei gratificada por ter promovido este encontro. Eles, embora
homens feitos, já mostraram que ainda tinham e têm alma de criança. Outra
lembrança importante: eu ingressei no impresso pelas mãos dele. À época,
minha coluna não tinha título e foi ele quem criou o nome ‘Simplesmente’ para a
coluna. E no último domingo (20/05), durante a festa do Karoba, ele me afirmou
que tinha planos para retornar ao impresso e que gostaria que eu voltasse a
escrever a minha coluna.”
Gal Bernardo,
jornalista e turismóloga
“Regi sai
de cena como sempre gostou de viver: silencioso, comedido e sempre na dele. Um
grande profissional que sempre soube separar a profissão de qualquer outra
coisa que não a edificasse. Perdemos o grande mestre do Jornalismo sério e
competente.”
Hamilton
Trindade, secretário de Comunicação e Cultura
“Reginauro
era um ícone da diversificação cultural de Montes Claros. Foi um dos
principais jornalistas e repórteres investigativos que enriqueceram a imprensa
mineira, pela profundidade das matérias que ele não só escrevia, mas que eram
objeto e fundamento para muitos dos fatos e acontecimentos que ocorreram em
Montes Claros nas mais diversas áreas. Era um ser humano emblemático por causa
dos seus amores, os mais múltiplos, e um pai único, universal para os filhos. Um
amigo que não media consequências para gostar das pessoas. As pessoas tinham
por ele amor ou ódio. E muitos pensavam também nutria amor ou ódio. Mas porque
muitos não o conheciam com profundidade para saber que este antagonismo, à
primeira vista, era só movido por amor. Reginauro, convivemos juntos,
principalmente na primeira administração do prefeito Luiz Tadeu Leite e, junto
comigo e com outros, como Charles Boavista, foi conosco o criador do ‘Circo dos
Bairros’ em Montes Claros sob a inspiração do secretário de Cultura Bethoven, à
época em Uberaba, foi conosco também o criador do projeto ‘Olá, Montes Claros’,
que uniu todos os produtores culturais da cidade, denominou Montes Claros
‘Cidade da Arte e da Cultura’, juntos criamos a ‘Festa Nacional do Pequi’,
ampliamos o ‘Festival Folclórico’, criamos o ‘Festival de Forró e Quadrilhas de
Montes Claros’, mantivemos vivo o ‘Salão Arte Boi’ e descortinamos com as
vivências nas madrugadas vários projetos para o engrandecimento da cultura e do
artista de Montes Claros e norte-mineiro. E ontem, dia de seu falecimento, tive
a oportunidade de ficar com ele até por volta de 12h30, quando conversamos sobre
variados assuntos, e ele, talvez, tenha escrito o último ofício para que o
prefeito encaminhasse ao governador de Minas, a solicitação urgente dos
recursos para o Centro de Convenções a ser construído no Interlagos. E ele
estava tranquilo, feliz, como sempre, com os ofícios que lhe eram pertinentes,
como assessor especial do prefeito Luiz Tadeu Leite. O Brasil, Minas e Montes
Claros perdem um dos maiores criadores e inventores, insubordinado agente
cultural e um jornalista de primeira grandeza. Nós, seus amigos e, com certeza,
a sua família, perdemos um grande amigo e um inquieto incentivador do amor a
Montes Claros.”
José Wilson
Santos, jornalista
“Diazinho FDP, essa segunda-feira em
que perdemos o companheiro Reginauro Silva, um dos mais brilhantes jornalistas,
advogados e teatrólogos desses Montes Claros, vitimado por uma parada
cardiorrespiratória fulminante. O coração grande e generoso parou, depois de
décadas batendo pela família, pelos amigos e pela cidade que tanto amou. É uma
perda doída, porque sempre será doído perder referências, amigos tão
intrinsecamente ligados às nossas vidas. Dizer que o jornalista Reginauro será
por muito tempo um mestre para quantos têm humildade para aprender; que como
teatrólogo foi o cara que impulsionou com a força de textos supimpas o bom
teatro montes-clarense, é chover no molhado. Regi era bom pra cacete em tudo
que fazia. Em tudo mesmo, índio velho! Penso até que Paulo Francis se inspirou
nele pra cunhar a pérola ‘Quando sou bom, sou bom; mas quando sou ruim sou melhor
ainda’. Era ruim pra caramba pisar no calo dele. A verve irônica, debochada,
era temida, certeira paulada na moleira do infeliz. Uma coisa, como diria o
amigo Artur Leite. O bom e velho Regi realizou muito - a começar por bela
família -, conquistou muito e viveu intensamente a vida. Pelo que, quem sabe,
também inspirou Vinícius de Moraes a cantar com todas as letras que ‘A coisa
mais divina que há no mundo é viver cada segundo como nunca mais...’ Acertou e
errou como todos nós, pobres mortais. Mas acertou muito mais. Tanto que sua
passagem, em que pese ser parte forçosa e a única certeza dessa vida,
deixou-nos a todos de luto sentido, indignados com a perda, com a dor de um
espaço vazio que não mais será preenchido. Foi-se o homem, o profissional, o pai
de família, o amigo, mas ficou imenso legado, pelo que posso dizer com orgulho,
índio velho: fui contemporâneo dele. E confessar: não é que o cara perdeu um
tempão da “orra” - que felizmente não fez falta ao seu extraordinário
curriculum - pra conseguir ensinar, pacientemente, ao degas aqui? E olha que
paciência, definitivamente, não era o forte dele. Até qualquer dia desses,
índio velho!”

Luís
Alberto Caldeira, jornalista
“O Regi
foi meu mentor, meu padrinho profissional, assim como o de inúmeros colegas
jornalistas que estavam começando na carreira, a quem o Reginauro acreditou e
abriu as portas do Jornalismo. Foi um grande incentivador de novas ideias e
descobridor de talentos. Perdemos uma pessoa com vasta experiência e
criatividade, mas o que mais lamentamos é que perdemos um amigo. Deus reservou
um lugar especial a ele. Vai fazer falta.”
“Reginauro
foi o meu primeiro amigo na segunda fase de minha vida, logo depois que saí do
seminário e passei a trabalhar na velha ZYD-7. Ele, como repórter do ‘O Jornal
de Montes Claros’ e eu, começando na redação da Rádio Sociedade, cobrimos
juntos o dia-a-dia da Prefeitura. Colhíamos as notícias em especial junto ao
Cel. Coelho, chefe de gabinete do então prefeito Pedro Santos. O Reginauro, do
tempo das vacas magras, era uma figura esquálida, mas, desde cedo, chamava a
atenção pela rapidez de raciocínio e pela sagacidade. Na escola de Oswaldo
Antunes aperfeiçoou-se rápido no ofício do jornalismo investigativo tendo,
inclusive, ganhado vários prêmios por excelentes coberturas jornalísticas.
Nossas vidas se cruzaram em diversas outras ocasiões, quando não andaram
paralelas. Juntos, estudamos na mesma classe e nos formamos em Direito pela
velha Fadir. Ele brilhou como jornalista enquanto eu caminhei pela senda
política. Nos últimos anos, trabalhou na minha ante-sala no gabinete do
prefeito e participou de um grupo seleto de companheiros, sempre pronto a
opinar positivamente nas questões mais candentes que, juntos, enfrentamos. Vai-se
o homem e fica o mito: a saga de um jovem de família pobre que, com esforço
próprio, amealhou muito mais que bens terrenos, mas fartou-se e espalhou bens
imorredouros, destes que o tempo jamais apagará. Minha família e eu estamos
chorando por esta irreparável perda!”
Mestre
Zanza
“Eu estou
muito sentido, porque Reginauro era amigo de muitos anos. Vai fazer muita
falta, porque é uma perda grande. Mas precisamos confiar em Deus, confiar que
ele faz o melhor para nós.”
Nágila
Almeida, jornalista
“Acredito
que o Norte de Minas perde um comunicador de peso. Regi era generoso, humilde e
sabia como ninguém se expressar de todas as formas. Não era egoísta e sempre
que solicitado dividia os seus conhecimentos principalmente com quem dava os
primeiros passos na arte de informar. A imprensa e o teatro estão de luto.”
Nazareno
Dias, jornalista
“O
jornalista Reginauro Silva foi um mestre na arte de ensinar a verdadeira arte
da profissão, que, muitas vezes, a técnica aplicada na faculdade não mostra.
Isto, ele fez através do jornal-laboratório “Opinião”, do ‘O Norte de Minas’,
onde era o editor-geral e nos orientava nas reportagens e redação dos textos.
Certamente, uma grande perda para toda a imprensa da cidade e região.”
Paulo
César Gonçalves de Almeida, jornalista
“Convivemos
desde 1968. Começamos no mesmo jornal, ‘O Jornal de Montes Claros’. Reginauro
foi, sob todos os aspectos, uma pessoa interessante, inteligentíssimo, com um
talento irrefutável, texto brilhante, polêmico, irreverente, incompreendido
muitas vezes, mas uma pessoa que deixou a sua marca. Pelo o que ele edificou na
imprensa - quantos que aprenderam com ele e não foram poucos -, ele merece ser
enaltecido e lembrado como uma pessoa que fez história. Não foi apenas
espectador, foi personagem ativo da história.”
Railda
Botelho, jornalista
“Um
grande conselheiro na arte de praticar o Jornalismo sério e competente. Sempre
gostava de conversar com ele e aproveitar para pedir algumas dicas. Deixa uma
lacuna na imprensa local.”
Rogeriano
Cardoso, jornalista
“Tive o
grande prazer de trabalhar junto com ele. É uma perda para a imprensa mineira.”
Samuel
Nunes, jornalista
“Regis
fará falta, muita falta mesmo. Estou com a consciência tranquila, pois ainda em
vida e, por várias vezes, agradeci a ele pela oportunidade a mim concedida.
Elogios, puxão de orelha, brincadeiras na redação. A despedida é um momento de
tristeza, em que corações se preparam para viver uma saudade. Diz certo ditado,
e a saudade bate forte no peito. As lágrimas já saíram em demasia, não querendo
acreditar na morte do ícone do jornalismo local. Mas Deus nos concede a força
necessária para enfrentarmos este momento triste. Montes Claros acorda triste
nesta terça-feira (22/05), e o seu blog, ‘A Província’, que Reginauro tanto
gostava não deu a notícia do falecimento do seu criador. É a vida... Aos
parentes, que Deus os console, aos amigos fica o exemplo de um profissional
dedicado à profissão, ousado e criativo. Enfim, o mais triste de uma despedida
é a incerteza de uma volta. E mais: talvez o único fato que me dói mais que
dizer adeus, é não ter tido a oportunidade de me despedir de você.”

Wanda
Gonçalves, jornalista
“Perdemos
um ícone do jornalismo. Regi era um profissional muito inteligente e dedicado.
No teatro, ele fez história com as suas peças bem redigidas e encenadas com
sucesso. Destaco ‘A Formiga que queria ser cidade e virou Princesa’ além do
livro ‘As 78 mulheres que amei’.”
Wanderlino
Arruda, escritor
“Reginauro
é um ícone do conhecimento, da cultura. A ausência dele vai fazer muita falta à
cidade e à região. De atividade constante, ele deixa um riquíssimo legado para
a história de Montes Claros. E nós, do Instituto Histórico e Geográfico de
Montes Claros, tivemos a honra dele ter sido um dos fundadores.”
Zeca
Aguiar, publicitário
“Uma
grande perda não só para Montes Claros, mas para todo o Estado de Minas Gerais.
Reginauro sempre foi um homem que procurou ajudar as pessoas, ensinar com a sua
capacidade inegável. Foi sempre um estudioso. Tudo que ele fez, fez muito bem,
no Jornalismo, no teatro. Nos ensinou muito.”