ARTE E RELIGIOSIDADE POPULAR - Pra espantar os maus olhados, uma das atingidas pela Barragem do Peão, em São João do Paraíso (Extremo Norte de Minas Gerais), Maria Aparecida de Souza, 45 anos, produziu esta obra em frente à casa dela (05/04/2011)

quinta-feira, 24 de maio de 2012

Traición, y por la espalda!


POR Fernando Yanmar Narciso

Em todos os meus anos escrevendo, falando das coisas que me incomodam ou lembrando os cacos de minhas infância e adolescência, estabeleci uma regra para meus escritos: apenas 5% deles eu dedico a alvos muito fáceis, como novelas e música moderna. Por isso nunca me viram atacando políticos pelo nome ou novas leis que servem apenas para estrangular o povo.

Então, mesmo depois de tantos ensaios, evitei ao máximo falar sobre um carinha que entra diariamente em nossas casas. De tão importante, é quase um dever cívico gostar do que ele faz, principalmente nos países mais pobres da América Latina, e há até quem sofra ou tenha sofrido bullying na escola por ser seu fã.

Claro que estou falando do Roberto “Chespirito” Bolaños, o Chico Anysio mexicano. Na ativa desde os anos 1950 na TV, o velho Bolaños trouxe muita alegria para o mundo com seu humor simples, sem apelação e extremamente cíclico. Na vila do Chaves, por exemplo, só existem uns doze ou treze personagens fixos, e os relacionamentos só podem existir entre eles. 


Chaves é o exemplo perfeito de como era ser um menor abandonado na década de 1970. Mesmo sem ter um vintém, ele está sempre de bem com a vida. Podemos ver reflexos de cada classe social naquelas paredes e escadas de papelão. E, mesmo que já tenham reprisado cada capítulo mais de 10.000 vezes, tem sempre alguém pra rir das mesmas piadas, e muitos mais para rir da gente por ainda gostar desses programas. Perdi a conta de quantas vezes meus colegas de colégio me chamaram de Q.I de ameba por isso.

Um dos meus grandes prazeres é colecionar almanaques. Só dos anos 1980 eu já tenho três, acreditam? Então, pensem em como é bizarro encontrar Chaves e Chapolin em livros de recordações, sendo que eles estão até hoje no ar. Entretanto, por mais que eu goste das criações do Bolaños, e me inspire em algumas tiradas deles para dar o tom de humor em meus escritos, me dói a alma - se é que ela existe - ao dizer que os programas deviam sumir em definitivo da televisão brasileira.

Se pudéssemos resumir o Modus Operandi empresarial de Silvio Santos em uma palavra, esta seria “acomodado”. Já virou caso de polícia o que Seu Silvio faz com a programação do canal. Quantas vezes ele já apostou em novidades que tiveram audiência baixa na 1ª semana e, baseado apenas nessa semana, mandou tirar do ar na semana seguinte e colocou o Chaves no lugar?

Só a filha dele já passou por essa situação duas vezes! A série já nem é mais o “coringa” do canal, é o baralho inteiro. Ele chega ao cúmulo de colocá-la no lugar do color-bar às 5:30 da madrugada!

A situação dos programas de Bolaños no SBT só não é pior que a do Bozo. Nos primórdios do canal, por falta de programação e staff, o programa do palhaço colorido como a bandeira americana foi ao ar por muitos anos das 8 da manhã às 14:30, daí vinha o Cinema em Casa e depois dele, o Bozo voltava das 16:30 às 18:30.

Por isso os comediantes na época trollavam o SBT, apelidando-o de Sistema Bozo de Televisão. Coincidentemente, Chaves e Chapolin estrearam no programa dele em 1984. Ninguém no canal era capaz de jogar uma nica no chapéu pelas séries, mas elas foram ficando, ficando... De tal forma que, em 1988, Abravanel teve a ideia genial de colocar a turma da vila no horário nobre, incomodando bastante o IBOPE do Jornal Nacional.

Chico Anysio, o nosso Bolaños, dizia que brasileiro que é brasileiro sempre ri das mesmas piadas, mas o jeito que Seu Silvio leva a sério essa máxima é ridículo! Por isso, não tem como não achar palhaçada o que alguns fãs fazem em nome das séries. Se ela fica fora do ar por uma semaninha os cabos de fibra ótica chegam a espiralar de tantos e-mails revoltados que a central de atendimento do canal recebe.

Faço parte de uma lista de discussão do programa, e já perdi a conta de quantas vezes passaram petições de VOLTA CHAVES e VOLTA CHAPOLIN endereçadas ao SBT. Creio que até o Repórter Vesgo do Pânico já chegou a entregar uma delas pessoalmente ao Patrão. No início de minha vida virtual eu até assinava essas petições para me enturmar, mas depois de quase 40 delas não tem ateu que aguente!

Se o programa mais famoso do canal é rigorosamente o mesmo há quase 30 anos, há algo de podre no reino de Churi Churi Fun Flays. Essa só os fãs entenderão.

Fernando Yanmar Narciso é designer e escritor

BLOG

quarta-feira, 23 de maio de 2012

LUTO NA IMPRENSA NORTE-MINEIRA - O último adeus a Reginauro Silva

Foi velado na manhã de terça-feira (22/05) o corpo do jornalista Reginauro Silva. Ele faleceu aos 62 anos idade cumprindo o ofício de seu trabalho na Prefeitura de Montes Claros. Reginauro nasceu em Almenara/MG, mas foi no maior município do Norte de Minas onde escreveu uma vasta carreira profissional pautada pela criatividade, irreverência e paixão pelo Jornalismo.

Formou-se em Direito em 1978. Foi ainda autor de peças de teatro e agitador cultural. É o autor da conhecida frase: “Montes Claros, Cidade da Arte e da Cultura”. Amigos prestaram uma última e justa homenagem a Reginauro. Todos unânimes diante de sua importância à imprensa e cultura montes-clarense. 

Foto: Fábio Marçal
 
LEIA DEPOIMENTOS DE COLEGAS DE REGINAURO

Arthur Júnior, jornalista
“Tive a oportunidade de dirigir uma peça teatral de Reginauro, ‘A Formiga que queria ser cidade e virou Princesa’, que foi uma segunda montagem em 1993 junto com Eduardo Brasil. Na área jornalística, foi um guru, sempre nos incentivando, criticando, apontando o que tinha que ser feito. Foi uma pessoa que tinha um texto primoroso, investigativo e que sabia brincar com as palavras, tanto na maneira de elaborar o texto quanto na área do Teatro. Deixa um legado de alegria. Seu último ato aconteceu na minha festa, no ‘Baião de Dois do Karoba’, último domingo, quando ficou a tarde toda alegre, confraternizando, rindo, brincando, como sempre foi. Eu quero guardar para mim esta imagem: do Reginauro alegre, companheiro, brigador e polêmico, que nunca se dobrou diante dos poderosos.”

Artur Leite, jornalista
“Reginauro tinha uma dimensão nacional e não regional ou mesmo local. Ele pensava além do seu tempo. Uma das suas marcas principais era a inteligência rara, a percepção do cotidiano e a capacidade de polemizar. Seu maior legado é trabalho realizado no Teatro, na Literatura, no Jornalismo. Foi-se o homem polêmico, mas ficou o seu legado maior: o amor a Montes Claros.”

Décio Gonçalves, jornalista
“Reginauro foi um dos repórteres mais brilhantes que eu tive no meu ‘Diário de Montes Claros’. Ele era pessoa correta e um profissional excelente. Como ninguém, perseguia  a notícia, mas sempre com o foco na verdade. Esse era ele, um perseguidor implacável das notícias. Mas, para ele, a verdade estava sempre acima de tudo.”


Dhiogo Revert, jornalista
“Não só o Jornalismo, mas também a arte, a cultura e os cidadãos montes-clarenses perdem alguém que cobrava com irreverência e com pulso forte, tratando de assuntos que a população queria buscar seus direitos. E para quem começa a se enveredar no Jornalismo, é claro que perdemos um grande mestre. Fica a saudade.”

Fátima de Oliveira, jornalista
“Com tristeza leio a nota sobre a morte de Reginauro, companheiro querido que nos recebeu na cidade com carinho e afeto, quando de nossa visita como diretora do Sindicato dos Jornalistas. Saibam, no entanto, que ele morreu praticando o ofício que mais amava, tanto que preferiu morrer no local de trabalho como quem diz: ‘Saio daqui direto para o céu’. Que os anjos aproveitem sua criação companheiro e lhe tratem bem. Meu carinho a todos de MOC, cidade que aprendi a amar por causa de nossa categoria.”

Felicidade Tupinambá, jornalista
“Reginauro vai ser sempre uma referência de Jornalismo em Montes Claros e na região. Ele será para sempre meu editor, com quem aprendi muito. Sem dúvida, uma grande perda para todos nós. Mesmo tendo uma religião como alicerce, que nos garante a vida eterna, a dor é grande. Mas isso mostra a inexorabilidade da morte, que é inevitável. Uma das minhas muitas lembranças foi o ‘Conversa Fiada’ que fiz com ele e com diversos ex-colegas dele da Escola Normal, sobre o Grêmio Estudantil. Eu fiquei  gratificada por ter promovido este encontro. Eles, embora homens feitos, já mostraram que ainda tinham e têm alma de criança. Outra lembrança  importante: eu ingressei no impresso pelas mãos dele. À época, minha coluna não tinha título e foi ele quem criou o nome ‘Simplesmente’ para a coluna. E no último domingo (20/05), durante a festa do Karoba, ele me afirmou que tinha planos para retornar ao impresso e que gostaria que eu voltasse a escrever a minha coluna.”

Gal Bernardo, jornalista e turismóloga
“Regi sai de cena como sempre gostou de viver: silencioso, comedido e sempre na dele. Um grande profissional que sempre soube separar a profissão de qualquer outra coisa que não a edificasse. Perdemos o grande mestre do Jornalismo sério e competente.”

Hamilton Trindade, secretário de Comunicação e Cultura
“Reginauro era um ícone da diversificação cultural de Montes Claros. Foi um dos principais jornalistas e repórteres investigativos que enriqueceram a imprensa mineira, pela profundidade das matérias que ele não só escrevia, mas que eram objeto e fundamento para muitos dos fatos e acontecimentos que ocorreram em Montes Claros nas mais diversas áreas. Era um ser humano emblemático por causa dos seus amores, os mais múltiplos, e um pai único, universal para os filhos. Um amigo que não media consequências para gostar das pessoas. As pessoas tinham por ele amor ou ódio. E muitos pensavam também nutria amor ou ódio. Mas porque muitos não o conheciam com profundidade para saber que este antagonismo, à primeira vista, era só movido por amor. Reginauro, convivemos juntos, principalmente na primeira administração do prefeito Luiz Tadeu Leite e, junto comigo e com outros, como Charles Boavista, foi conosco o criador do ‘Circo dos Bairros’ em Montes Claros sob a inspiração do secretário de Cultura Bethoven, à época em Uberaba, foi conosco também o criador do projeto ‘Olá, Montes Claros’, que uniu todos os produtores culturais da cidade, denominou Montes Claros ‘Cidade da Arte e da Cultura’, juntos criamos a ‘Festa Nacional do Pequi’, ampliamos o ‘Festival Folclórico’, criamos o ‘Festival de Forró e Quadrilhas de Montes Claros’, mantivemos vivo o ‘Salão Arte Boi’ e descortinamos com as vivências nas madrugadas vários projetos para o engrandecimento da cultura e do artista de Montes Claros e norte-mineiro. E ontem, dia de seu falecimento, tive a oportunidade de ficar com ele até por volta de 12h30, quando conversamos sobre variados assuntos, e ele, talvez, tenha escrito o último ofício para que o prefeito encaminhasse ao governador de Minas, a solicitação urgente dos recursos para o Centro de Convenções a ser construído no Interlagos. E ele estava tranquilo, feliz, como sempre, com os ofícios que lhe eram pertinentes, como assessor especial do prefeito Luiz Tadeu Leite. O Brasil, Minas e Montes Claros perdem um dos maiores criadores e inventores, insubordinado agente cultural e um jornalista de primeira grandeza. Nós, seus amigos e, com certeza, a sua família, perdemos um grande amigo e um inquieto incentivador do amor a Montes Claros.”

José Wilson Santos, jornalista
“Diazinho FDP, essa segunda-feira em que perdemos o companheiro Reginauro Silva, um dos mais brilhantes jornalistas, advogados e teatrólogos desses Montes Claros, vitimado por uma parada cardiorrespiratória fulminante. O coração grande e generoso parou, depois de décadas batendo pela família, pelos amigos e pela cidade que tanto amou. É uma perda doída, porque sempre será doído perder referências, amigos tão intrinsecamente ligados às nossas vidas. Dizer que o jornalista Reginauro será por muito tempo um mestre para quantos têm humildade para aprender; que como teatrólogo foi o cara que impulsionou com a força de textos supimpas o bom teatro montes-clarense, é chover no molhado. Regi era bom pra cacete em tudo que fazia. Em tudo mesmo, índio velho! Penso até que Paulo Francis se inspirou nele pra cunhar a pérola ‘Quando sou bom, sou bom; mas quando sou ruim sou melhor ainda’. Era ruim pra caramba pisar no calo dele. A verve irônica, debochada, era temida, certeira paulada na moleira do infeliz. Uma coisa, como diria o amigo Artur Leite. O bom e velho Regi realizou muito - a começar por bela família -, conquistou muito e viveu intensamente a vida. Pelo que, quem sabe, também inspirou Vinícius de Moraes a cantar com todas as letras que ‘A coisa mais divina que há no mundo é viver cada segundo como nunca mais...’ Acertou e errou como todos nós, pobres mortais. Mas acertou muito mais. Tanto que sua passagem, em que pese ser parte forçosa e a única certeza dessa vida, deixou-nos a todos de luto sentido, indignados com a perda, com a dor de um espaço vazio que não mais será preenchido. Foi-se o homem, o profissional, o pai de família, o amigo, mas ficou imenso legado, pelo que posso dizer com orgulho, índio velho: fui contemporâneo dele. E confessar: não é que o cara perdeu um tempão da “orra” - que felizmente não fez falta ao seu extraordinário curriculum - pra conseguir ensinar, pacientemente, ao degas aqui? E olha que paciência, definitivamente, não era o forte dele. Até qualquer dia desses, índio velho!”

Luís Alberto Caldeira, jornalista
“O Regi foi meu mentor, meu padrinho profissional, assim como o de inúmeros colegas jornalistas que estavam começando na carreira, a quem o Reginauro acreditou e abriu as portas do Jornalismo. Foi um grande incentivador de novas ideias e descobridor de talentos. Perdemos uma pessoa com vasta experiência e criatividade, mas o que mais lamentamos é que perdemos um amigo. Deus reservou um lugar especial a ele. Vai fazer falta.”

Luiz Tadeu Leite, prefeito de Montes Claros
“Reginauro foi o meu primeiro amigo na segunda fase de minha vida, logo depois que saí do seminário e passei a trabalhar na velha ZYD-7. Ele, como repórter do ‘O Jornal de Montes Claros’ e eu, começando na redação da Rádio Sociedade, cobrimos juntos o dia-a-dia da Prefeitura. Colhíamos as notícias em especial junto ao Cel. Coelho, chefe de gabinete do então prefeito Pedro Santos. O Reginauro, do tempo das vacas magras, era uma figura esquálida, mas, desde cedo, chamava a atenção pela rapidez de raciocínio e pela sagacidade. Na escola de Oswaldo Antunes aperfeiçoou-se rápido no ofício do jornalismo investigativo tendo, inclusive, ganhado vários prêmios por excelentes coberturas jornalísticas. Nossas vidas se cruzaram em diversas outras ocasiões, quando não andaram paralelas. Juntos, estudamos na mesma classe e nos formamos em Direito pela velha Fadir. Ele brilhou como jornalista enquanto eu caminhei pela senda política. Nos últimos anos, trabalhou na minha ante-sala no gabinete do prefeito e participou de um grupo seleto de companheiros, sempre pronto a opinar positivamente nas questões mais candentes que, juntos, enfrentamos. Vai-se o homem e fica o mito: a saga de um jovem de família pobre que, com esforço próprio, amealhou muito mais que bens terrenos, mas fartou-se e espalhou bens imorredouros, destes que o tempo jamais apagará. Minha família e eu estamos chorando por esta irreparável perda!”

Mestre Zanza
“Eu estou muito sentido, porque Reginauro era amigo de muitos anos. Vai fazer muita falta, porque é uma perda grande. Mas precisamos confiar em Deus, confiar que ele faz o melhor para nós.”

Nágila Almeida, jornalista
“Acredito que o Norte de Minas perde um comunicador de peso. Regi era generoso, humilde e sabia como ninguém se expressar de todas as formas. Não era egoísta e sempre que solicitado dividia os seus conhecimentos principalmente com quem dava os primeiros passos na arte de informar. A imprensa e o teatro estão de luto.”

Nazareno Dias, jornalista
“O jornalista Reginauro Silva foi um mestre na arte de ensinar a verdadeira arte da profissão, que, muitas vezes, a técnica aplicada na faculdade não mostra. Isto, ele fez através do jornal-laboratório “Opinião”, do ‘O Norte de Minas’, onde era o editor-geral e nos orientava nas reportagens e redação dos textos. Certamente, uma grande perda para toda a imprensa da cidade e região.”

Paulo César Gonçalves de Almeida, jornalista
“Convivemos desde 1968. Começamos no mesmo jornal, ‘O Jornal de Montes Claros’. Reginauro foi, sob todos os aspectos, uma pessoa interessante, inteligentíssimo, com um talento irrefutável, texto brilhante, polêmico, irreverente, incompreendido muitas vezes, mas uma pessoa que deixou a sua marca. Pelo o que ele edificou na imprensa - quantos que aprenderam com ele e não foram poucos -, ele merece ser enaltecido e lembrado como uma pessoa que fez história. Não foi apenas espectador, foi personagem ativo da história.”

Railda Botelho, jornalista
“Um grande conselheiro na arte de praticar o Jornalismo sério e competente. Sempre gostava de conversar com ele e aproveitar para pedir algumas dicas. Deixa uma lacuna na imprensa local.”

Rogeriano Cardoso, jornalista
“Tive o grande prazer de trabalhar junto com ele. É uma perda para a imprensa mineira.”

Samuel Nunes, jornalista
“Regis fará falta, muita falta mesmo. Estou com a consciência tranquila, pois ainda em vida e, por várias vezes, agradeci a ele pela oportunidade a mim concedida. Elogios, puxão de orelha, brincadeiras na redação. A despedida é um momento de tristeza, em que corações se preparam para viver uma saudade. Diz certo ditado, e a saudade bate forte no peito. As lágrimas já saíram em demasia, não querendo acreditar na morte do ícone do jornalismo local. Mas Deus nos concede a força necessária para enfrentarmos este momento triste. Montes Claros acorda triste nesta terça-feira (22/05), e o seu blog, ‘A Província’, que Reginauro tanto gostava não deu a notícia do falecimento do seu criador. É a vida... Aos parentes, que Deus os console, aos amigos fica o exemplo de um profissional dedicado à profissão, ousado e criativo. Enfim, o mais triste de uma despedida é a incerteza de uma volta. E mais: talvez o único fato que me dói mais que dizer adeus, é não ter tido a oportunidade de me despedir de você.”

Wanda Gonçalves, jornalista
“Perdemos um ícone do jornalismo. Regi era um profissional muito inteligente e dedicado. No teatro, ele fez história com as suas peças bem redigidas e encenadas com sucesso. Destaco ‘A Formiga que queria ser cidade e virou Princesa’ além do livro ‘As 78 mulheres que amei’.”

Wanderlino Arruda, escritor
“Reginauro é um ícone do conhecimento, da cultura. A ausência dele vai fazer muita falta à cidade e à região. De atividade constante, ele deixa um riquíssimo legado para a história de Montes Claros. E nós, do Instituto Histórico e Geográfico de Montes Claros, tivemos a honra dele ter sido um dos fundadores.”

Zeca Aguiar, publicitário
“Uma grande perda não só para Montes Claros, mas para todo o Estado de Minas Gerais. Reginauro sempre foi um homem que procurou ajudar as pessoas, ensinar com a sua capacidade inegável. Foi sempre um estudioso. Tudo que ele fez, fez muito bem, no Jornalismo, no teatro. Nos ensinou muito.”

terça-feira, 22 de maio de 2012

Será que sofremos de "elefantíase"


A mosca azul do Frei Betto parece ter picado nosso companheiro Franklin Martins, jornalista e ex-ministro das Comunicações Sociais. Martins abriu o 12º Congresso Estadual de Jornalistas com a palestra magna “Por que o Brasil precisa de um marco regulatório das comunicações eletrônicas?”. 

Em um discurso que mais parecia piada de elefante, Franklin Martins definiu comunicação eletrônica. É “toda comunicação que se faz através dos espectros eletroeletrônicos”, como os aparelhos de telefone celular, a radiodifusão.

Martins justificou que o Brasil precisa de novo marco regulatório das comunicações eletrônicas porque o atual está defasado, velho. É de 1962, uma época em que havia no país dois milhões de aparelhos de televisão. Existiam “televizinhos”. As pessoas que moravam em um mesmo bairro se encontravam para assistir televisão. Mas hoje, como cada família tem a sua TV de tela plana, a boa e velha vizinhança está por um triz e adaptada aos tempos pós-modernos. 

Franklin Martins afirmou que a fronteira entre rádio e televisão está acabando. Mencionou o faturamento da telefonia e que todos precisam se DEMOcratizar e entrar no mundo da sociedade da informação e do conhecimento. “O que faz a diferença é a inteligência dos produtores da informação. Vocês conseguem imaginar um mundo sem internet?”, indagou.

Apresentou razões para um novo marco regulatório das comunicações eletrônicas. Citou que, 24 anos depois da Constituição Brasileira de 1988, foram regulamentadas apenas Editora Abril e Globo. Em 2002, houve permissão para a entrada de 30% de capital estrangeiro na área de comunicação. “Tirando isso, nada foi regulamentado até hoje”, indicou Franklin Martins.

Falou em “gambiarras de marco regulatório”. “Parlamentar pode ter rádio, televisão? Constituição Federal diz que não! Vender horário não pode! Se vende rádio no Brasil igual se vende carne no açougue”, simplificou o ex-ministro, que pretende lutar por um órgão de fiscalização nesta época de convergência eletrônica.     

Relacionou ainda jornalismo, informação e entretenimento, e reclamou da defesa contra as tentativas governamentais de impor regras aos meios de comunicação, que são tidas como uma agressão à livre circulação de ideias. “Qualquer regulação é um atentado à liberdade de imprensa”, afirmou Martins. “Empresas de telecomunicações querem interditar o debate”, declarou. “Quem distribui não produz, quem produz não distribui”, pensou o ex-ministro.

Para ele, “a liberdade de imprensa no Brasil não está ameaçada”. “Liberdade de imprensa é o que vem da alma”, filosofou o palestrante do 12º Congresso Estadual de Jornalistas, que aconteceu de 18 a 20 de maio deste ano, em Ipatinga/Coronel Fabriciano, no Vale do Aço (MG).

“Uma sociedade que pressiona por uma imprensa melhor é madura”, acrescentou o ex-ministro e observou que “o público é maduro quando a imprensa erra”. Mas, “existe um certo jornalismo que, como as antigas farmácias, é manipulação”.

Franklin Martins contrapôs a Blogosfera à Era de Aquário, período de Gutenberg. De acordo com o seu pensamento, “estamos assistindo a um processo extraordinariamente rico em mudanças”. “Como reagir a isso?”, questionou. Respondeu que, ao invés de impor a lei do mais forte, deve prevalecer o diálogo entre a radiodifusão e as telecomunicações, com um debate público aberto e transparente sobre o assunto, como são os nossos meios de comunicação.

Franklin ainda argumentou que 95% das concessões públicas é privada e que deve haver uma complementaridade entre público e privado. Parece mesmo que o “PTucanou” e transformou-se em um grande elefante branco.



quinta-feira, 17 de maio de 2012

CinemaComentado volta a acontecer no Sesc, centro de MOC

ESTAMIRA será atração do sábado 19/05 no CineSescCinemaComentadoCineClube; documentário discute loucura e sobrevivência

Neste próximo sábado (19/05), o CineSesc, em parceira com o CinemaComentadoCineClube, exibe ESTAMIRA (2005), documentário selecionado pelo Curta Circuito. projeto patrocinado pela Cemig e Governo de Minas Gerais, e realizado pela Associação Curta Minas/ABD-MG e Ministério da Cultura.

Dirigido por Marcos Prado, ESTAMIRA conta a história de uma mulher de 63 anos que sofre de distúrbios mentais e que, durante duas décadas, viveu e trabalhou no Aterro Sanitário de Jardim Gramacho. Carismática e maternal, ela convive com um pequeno grupo de catadores idosos num local renegado pela sociedade, que recebe diariamente mais de oito mil toneladas de lixo produzido no Rio de Janeiro.

Fotógrafo e produtor de documentários consagrados (como Ônibus 174), Marcos Prado estreou na direção com ESTAMIRA. Em 2000, o diretor encontrou a protagonista pela primeira vez: pediu para tirar um retrato e ela consentiu com a condição que depois ele sentasse ao seu lado para conversar. Ela lhe disse que morava “num castelo, todo enfeitado com coisas do lixo”. 


Prado se encantou com o discurso eloquente e lúcido daquela senhora diagnosticada como louca. Apesar de falar sozinha, ouvir vozes e se referir a Deus com os piores palavrões, Estamira é uma figura muito simpática e respeitada no lixão.

Depois de sofrer estupros, se prostituir, ser traída em dois casamentos, se distanciar da filha mais nova, ser mendiga e alcoólatra, ela encontrou no local a socialização, amizade e respeito que nunca teve na vida. 



Vencedor de 25 prêmios nacionais e internacionais nos principais festivais de cinema, ESTAMIRA levanta questões de interesse global, como o destino do lixo produzido pelos habitantes de uma metrópole e os subterfúgios que a mente humana encontra para superar uma realidade insuportável de ser vivida.

Dona Estamira vive em função de sua missão: “revelar e cobrar a verdade dos homens”.

CLASSIFICAÇÃO INDICATIVA
documentário liberado para pessoas com mais de 12 anos

O CineSesc e o  CinemaComentadoCineClube acontecem aos sábados, a partir das 19h, no Salão de Convenções do Serviço Social do Comércio (Sesc)-Pousada Montes Claros, cujo endereço é Rua Viúva Francisco Ribeiro 200 (Ginásio Darcy Ribeiro do Sesc). As sessões são gratuitas, abertas a todos os interessados e depois acontece bate-papo com a plateia sobre o filme apresentado.

PRÓXIMAS ATRAÇÕES

02/06
“Mutum” (2007)
direção: Sandra Kogut

09/06
“Tartarugas Podem Voar” (2004)
direção: Bahman Ghobadi

FONTE DESTA NOTÍCIA
Elpídio Rodrigues Rocha Neto